Grid Walk do Grande Prêmio dos Estados Unidos: Ser ou não ser Campeão Mundial de Fórmula 1? E outros assuntos menos importantes

Grid Walk do Grande Prêmio dos Estados Unidos: Ser ou não ser Campeão Mundial de Fórmula 1? E outros assuntos menos importantes

Que primeira fila espetacular temos para o Grande Prêmio dos Estados Unidos hoje! A 14ª edição no Circuito das Américas — uma pista de Fórmula 1 da era moderna com a alma do automobilismo clássico —, que foi me conquistando ao longo de seus 15 anos de existência.

É uma dessas arenas do automobilismo moderno que realmente grita “EUA” para mim, trazendo todas as nuances e a personalidade dos grandes circuitos americanos, nos quais sem dúvida se inspira. Parece um lugar autêntico, bem diferente da superficialidade artificial que vem sendo cada vez mais empurrada para dentro do nosso esporte.

Para mim, com Kimi Antonelli na pole position e Max Verstappen em 2º lugar (P8), temos os melhores pilotos da Fórmula 1 desta era atual. E arrisco dizer que, provavelmente, de toda a história do esporte, alinhando na primeira fila e partindo rumo àquele grampo em subida. Será glorioso de assistir.

Desde que Antonelli surgiu no cenário, não consigo pensar em ninguém que não tenha ficado impressionado e, até certo ponto, deslumbrado com a forma como esse garoto conduz seus negócios. E, cara, ele é extremamente carismático em todos os sentidos: um jovem piloto genial, com uma exuberância juvenil apaixonante coroada por aquele sorriso moleque. Como não gostar?

Kimi está claramente encantado com as companhias que cultiva no momento, no topo do esporte. E fica evidente que Verstappen — embora provavelmente vá ser seu maior rival ao longo da próxima década — também está encantado pelo garoto.

Dá para ver claramente. Dá para notar na linguagem corporal. Dá para perceber que existe uma fraternidade genuína entre Kimi e Max — e Max não é uma pessoa fácil de conquistar. Acho que nunca vi o holandês, quase uma década mais velho que o italiano, tão encantado por um rival.

E não vamos esquecer: se seus principais concorrentes ficarem fora do caminho no COTA e os astros se alinharem a seu favor, Andrea Kimi Antonelli, nascido em 25 de agosto de 2006 em Bolonha, na Itália, poderá ser coroado o Campeão Mundial de Fórmula 1 mais jovem da história
Para mim, que me importo mais com os pilotos do que com as equipes, é lindo de ver. Mas tudo isso perde a importância no momento em que Max e Kimi abaixam suas viseiras e arrancam em direção à Curva 1. O que acontecerá entre eles quando subirem aquela ladeira e virarem com o máximo de força à esquerda, até onde esses monstros modernos e pesados permitirem?

Estamos prestes a ver o que acredito que será uma disputa espetacular pela vitória hoje, com os dois maiores protagonistas do esporte no momento — e talvez de todos os tempos — exibindo todo o seu talento. Uma grande primeira fila para o confronto de hoje em Austin.

Na segunda fila, temos o incrível Isack Hadjar. Digo incrível porque, com apenas dois anos de carreira na Fórmula 1, ele está lado a lado com Max Verstappen, e por mérito próprio.

Claro, ele não vai ser consistentemente rápido desde o primeiro dia, mas este é apenas o seu 38º Grande Prêmio, enquanto é o 251º de Max. No entanto, não vi nenhum outro piloto naquele “amaldiçoado” segundo carro da Red Bull chegar perto — ou pelo menos lidar com a situação da forma como ele tem lidado.

É verdade que Isack às vezes age no impulso do momento, mas esse é o jeito dele. Ao mesmo tempo em que entrega resultados, ele consegue registrar ótimas voltas, e sua pilotagem continua evoluindo. Ele segue crescendo, o que mostra que está aprendendo com Max em vez de tentar trilhar um caminho isolado. E Hadjar já mencionou isso antes: ele está ali para aprender com o “auge do auge” da Fórmula 1.

Hadjar rumo à sua primeira vitória na Fórmula 1?

Haverá um momento em que ele vai arriscar e desafiar seu mentor no carro #3. Mas, no momento, esse não é o papel dele, e na classificação de sábado, Isack fez exatamente o que precisava fazer: ficar o mais perto possível de Max. Em Austin, no sábado, a diferença entre as Red Bulls foi de apenas 0,036s. Perto o suficiente, eu diria! Um pódio hoje para o francês? Sacré bleu, uma primeira vitória?

Logo atrás, Charles Leclerc larga em 4º (P4), sendo o melhor da dupla da Ferrari. Um pouco confuso para eles e para mim, para ser sincero. Os carros vermelhos “venceram” todas as sessões de Treino Livre, mas “A Ferrari vacila quando realmente importa”, como destacou a manchete do relato de classificação de Jad Mallak.

No carro vermelho #44, Lewis Hamilton largará em 5º (P5). Ele também ficou coçando a cabeça sem entender por que não terminou pelo menos mais perto da primeira fila, considerando que foi o mais rápido no TL3. Mas esse tem sido o estilo da Ferrari ultimamente: rápida quando não importa.

A mesma velha história. O que deveria ter sido uma primeira fila toda vermelha não acabou da forma como esperávamos quando o fim de semana começou. Mas talvez aquele ritmo dos treinos livres seja útil para eles esta tarde no Texas.

Isso nos leva a George Russell, em 6º (P6) no grid e quatro décimos atrás do melhor tempo cravado por seu companheiro de equipe e rival pelo título, Antonelli, na outra Mercedes. Esta é uma fase de frustração para George, que assiste de mãos atadas suas esperanças de título mundial se esvaírem.

A campanha de Russell pelo título da F1 ficou sem munição?

E, de forma bastante reveladora, Toto Wolff resumiu a situação ao dizer que o carro está melhor, mas a janela de rendimento está mais estreita. Obviamente, isso mostra que Antonelli consegue extrair o máximo do conjunto, enquanto George não.

Se serve de algo, essa diferença de quase meio segundo será difícil de engolir para George, já que é maior do que a maioria das disputas entre companheiros de equipe no grid durante a classificação em Austin. Para mim, parece uma campanha pelo título que ficou sem munição e está prestes a fechar as portas.

Falando em fechar as portas, as duas McLarens foram lamentáveis em comparação com as equipes que surravam regularmente no ano passado. Oscar Piastri ficou em 7º (P7), com Lando Norris em 8º (P8). O australiano ficou a sete décimos do melhor tempo, e Norris a um segundo da liderança.

Poderia se dizer que este é um caso clássico de “como os poderosos caíram”. A esta altura, no ano passado, eles já tinham vencido 12 corridas e caminhavam para conquistar os títulos de Construtores e de Pilotos da Fórmula 1. Em 2026, eles têm apenas duas vitórias em seu retrospecto, com Piastri ainda sem sentir o gosto da vitória.

Imagino que eles ficarão em uma “terra de ninguém” na maior parte da corrida de hoje, torcendo para que, na frente, haja algum tipo de abandono de pilotos ou problemas que os joguem para trás na ordem. Não importa por qual ângulo se olhe, tem sido um fim de semana desastroso até agora para a McLaren, o que meio que resume a temporada deles até aqui.

Espere por uma batalha intensa no meio do grid
Logo em seguida, em 9º lugar (P9) no grid, vem Liam Lawson, fazendo maravilhas novamente com a Racing Bulls. Há boatos de que ele pode perder a vaga, o que seria insano e absurdo se acontecesse, porque ele cumpriu todos os requisitos até agora.

Neste momento, com os quatro pilotos ativos que possuem no grupo da Red Bull na F1, eles estão muito bem servidos. Então para que consertar o que não está quebrado? Além disso, quando Hadjar fraturou a mão, Lawson fez um trabalho incrível ao substituí-lo. Não me surpreenderia se ele evitasse confusões hoje e terminasse em uma posição superior à de largada.

Pierre Gasly mostrou mais uma vez que consegue arrancar desempenho até de uma carroça, colocando a Alpine em 10º lugar no grid. Um ótimo esforço do francês.

No entanto, Lawson e Gasly se beneficiaram de Arvid Lindblad, que notoriamente terminou em 9º na classificação, mas cumpriu uma penalidade de cinco posições no grid, o que significa uma largada em 14º para o impressionante britânico de 19 anos. Fique de olho nele subindo posições, se conseguir evitar o provável caos das primeiras voltas no COTA.

Descendo no grid, o 12º lugar de Fernando Alonso e o 16º de seu companheiro Lance Stroll sugerem uma pequena melhora na Aston Martin. Durante grande parte da temporada, eles estiveram segurando a lanterna do grid ou lutando no lado errado da tabela. Mas ainda estão muito longe do ideal, e ficarei surpreso se resistirem até o fim da corrida.

A melhor equipe americana, a Haas, foi relativamente decepcionante, em 13º e 15º, com Ollie Bearman levando a melhor sobre Esteban Ocon. Nada de novo por ali, além da mediocridade do meio de grid se arrastando com um carro que eles — assim como a maioria dos rivais — custam a entender. As atualizações costumam ser retrocessos, seguidos por muita gente coçando a cabeça sem entender nada.

Williams em queda livre, pesadelo para a Cadillac
É preciso registrar que a Williams se encontra em um estado inacreditável, com Carlos Sainz em 17º (P17) e Alex Albon em 18º (P18). Eles têm um trabalho gigantesco pela frente para fazer um dos piores carros do grid caminhar na direção certa. É lamentável o que se tornou a equipe outrora vitoriosa de Sir Frank.

Eles terminaram em 5º lugar no ano passado, mas sob a liderança de James “Salada de Palavras” Vowles, a equipe continua apresentando um rendimento abaixo do esperado em um nível vergonhoso. Tanto é que senti que Alex Albon iria começar a chorar em determinado momento da classificação, tal era a sua frustração.

Alguma coisa precisa acontecer com essa equipe porque, do jeito que está agora, ela está deslizando grid abaixo e é provavelmente o segundo pior carro e estrutura no topo do automobilismo mundial.

A pior, é claro, é a Cadillac. Não há registro em minha memória de uma equipe tão ruim quanto essa na era moderna. Equipes como Marussia, HRT e Caterham, que surgiram há cerca de uma década, eram ruins, mas não tão ruins quanto essa estrutura da Cadillac. Ironicamente, muitas das pessoas daqueles fracassos esquecidos da F1 estão agora nas trincheiras da Caddy!

Para seu primeiro rodeio no Texas, a Cadillac praticamente mandou Sergio Pérez e Valtteri Bottas para um duelo de tiros armados com uma faca de plástico. É horrível de assistir, e é uma pena que uma das maiores marcas automotivas da América tenha se tornado o chacota da Fórmula 1 em sua temporada de estreia. E em solo nacional, isso vai doer muito, não importa o que os assessores de imprensa tentem inventar.

Por fim, Franco Colapinto tomou uma punição de 10 posições no grid por componentes da unidade de potência, o que significa que ele largará em 21º (P21). E Gabriel Bortoleto recebeu uma penalidade de 80 posições no grid por exceder sua cota de elementos do motor. Sim, é a esse nível de ridículo que chegam as regras do esporte que tanto amamos nesta era atual. De onde eles vão fazer a Audi do brasileiro largar? De Dallas?

Antonelli vs Verstappen: Uma batalha de tirar o fôlego nos aguarda no COTA

As simulações da Pirelli sugerem que a estratégia de uma única parada será a mais rápida para o Grande Prêmio dos Estados Unidos, com as equipes potencialmente favorecendo a combinação Macio-Médio para explorar a aderência superior do pneu Macio. O composto Duro continua sendo uma alternativa viável para o segundo trecho, especialmente se um Safety Car precoce incentivar os pilotos a mudar para o durável C2.

Uma degradação de pneus maior do que a esperada pode tornar competitiva uma estratégia de duas paradas (Macio-Médio-Macio), com apenas uma pequena desvantagem de tempo estimada. No entanto, a posição de pista, o tráfego e as oportunidades de ultrapassagem influenciarão as decisões. Em última análise, a evolução das condições do circuito e as temperaturas no dia da corrida determinarão qual estratégia entregará o melhor resultado.

Seja qual for o caso, estamos prestes a ver uma corrida de tirar o fôlego, com Kimi Antonelli e Max Verstappen — os maiorais, os caras, os donos do pedaço na Fórmula 1 atual — perseguidos pelos Keystone Cops [trapalhões], vulgo Ferrari dos tempos modernos. Com sorte, eles se ajeitam. É sempre bom para o esporte quando eles vencem.

E se não vencerem, felizmente produzirão a quantidade habitual de linhas de jornal questionando ou ridicularizando suas decisões, dependendo de como a tarde se desenrolar. Mas se eles acertarem a matemática e tudo funcionar a seu favor — o que conseguem fazer e já mostraram ser capazes em algumas ocasiões —, Leclerc tem grandes chances de ir ao pódio, com certeza.

Mas não o descarte da luta pela vitória se as vitórias nos treinos livres servirem de parâmetro. O mesmo vale para Lewis Hamilton. Não vamos esquecer que Lewis já venceu por aqui cinco vezes desde que a corrida estreou em 2012. Aproveitem a corrida, pessoal!

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