
Apesar da mudança para a F2, Colton Herta quer encerrar a carreira como piloto da IndyCar
Colton Herta tem plena consciência de que soa como loucura deixar a IndyCar — onde ele é uma das estrelas da categoria e o piloto veterano da Andretti Global — e ir embora aos 25 anos com sete temporadas completas no currículo.
Tudo isso para se mudar para o Reino Unido e correr na Fórmula 2, uma categoria júnior repleta de adolescentes tentando chegar à Fórmula 1.
Mas para Herta, a decisão não foi tão difícil: se ele fracassar nesta temporada correndo pela Hitech TGR, ele pode retornar à IndyCar. Se tiver sucesso, ele deve se tornar o primeiro piloto americano, até 2027, na nova equipe Cadillac F1.
Uma mudança de propriedade na Andretti — onde Dan Towriss e o conglomerado TWG Motorsports agora possuem integralmente tanto a equipe de IndyCar quanto a entrada da Cadillac na F1, que estreia nesta temporada — criou a oportunidade.
Herta sempre quis estar na F1, mas não conseguiu obter os pontos necessários da Superlicença para participar da categoria. Towriss encontrou um caminho para levá-lo até lá: passar um ano na F2.
“Isso remonta ao período da Andretti, quando estávamos conversando sobre trazer o Colton, e ele mostrava muita promessa”, disse Towriss sobre os trabalhos de simulador que Herta realizou para avaliar suas habilidades.
“De repente, ele está no simulador da Red Bull e, na época, fazia parte da nossa equipe na IndyCar”, continuou Towriss. “Logo depois, o empresário dele me mostrou um contrato da Red Bull Racing e eu tive que convencer o Colton a dizer ‘não’ para Helmut Marko e permanecer na IndyCar, o que é uma tarefa bem intimidadora.”
Towriss abordou o pai de Colton, Bryan Herta, com a ideia de uma temporada na F2 para aprender sobre os pneus, as pistas e obter a Superlicença.
Ele disse a Bryan Herta que este era o caminho mais claro para colocar Colton em um assento da Cadillac, enquanto a equipe tenta se tornar uma organização genuinamente americana. Se Herta não estivesse interessado, Towriss afirmou que “não queria ouvir mais nenhuma palavra sobre F1”.
Herta tirou um tempo para refletir e decidiu que não tem nada a perder. Towriss contratou Will Power como substituto de Herta em um contrato de vários anos. O piloto da Andretti, Kyle Kirkwood, recebeu recentemente uma extensão de contrato, e o ex-vencedor das 500 Milhas de Indianápolis, Marcus Ericsson, está em seu último ano de contrato.
“Colton está assumindo esse risco enorme para estar em uma posição muito sólida”, disse Towriss. “Ele vai aprender as pistas, os pneus e mostrar que tem o que é preciso para estar na Fórmula 1.”
Herta, que se tornou o vencedor mais jovem da história da IndyCar em 2019, ao vencer com 18 anos, 11 meses e 25 dias, entende que provavelmente será um dos pilotos mais velhos na F2. Ele participou do teste de jovens pilotos após o GP de Abu Dhabi e percebeu rapidamente que era “um homem entre meninos”.
“Eu não me senti como um jovem piloto naquele teste”, disse Herta.
Ele aceita que haverá momentos de dificuldade e que muitas pessoas não entendem por que ele está fazendo essa mudança. No entanto, o início de sua carreira era focado na F1 antes de ele retornar aos Estados Unidos para competir na IndyCar, e ele nunca deixou o sonho europeu morrer.
“Quando vieram até mim, eu pensei: ‘Eles querem que eu faça o quê? Querem que eu vá para uma categoria de base? E o que acontece depois?'”, disse Herta à Associated Press. “No começo, parecia muita coisa, sendo que eu tenho a oportunidade de vencer toda semana na IndyCar e conquistar títulos.”
“Mas então decidi que isso pode ser um arco muito interessante na minha carreira. Acho que será fantástico se me levar à Fórmula 1, e ficarei incrivelmente grato por ter dado esse salto. Acho que muita gente sente que seria embaraçoso se eu falhasse, mas não me importo com o que todos pensam ou se isso vai manchar minha carreira.”
“E o que muitas pessoas não entendem é que eu posso voltar para a IndyCar — eu quero, definitivamente, encerrar minha carreira como um piloto de IndyCar”, sustentou Herta.
E quanto às 500 Milhas de Indianápolis? 
Herta tem a agenda de corridas livre em maio, período em que a F2 não tem provas programadas e, se conseguir viabilizar, ele gostaria de correr as 500 Milhas de Indianápolis.
A questão não é tão simples, mesmo que o mesmo grupo seja dono da equipe de IndyCar e da Cadillac, e que Herta deva participar de algumas sessões de treinos livres de F1 este ano.
O maior obstáculo é que a Andretti utiliza motores Honda na IndyCar, enquanto o programa da Cadillac é operado pela rival General Motors.
Isso exigiria um acordo entre as fabricantes, patrocínio para a inscrição e um compromisso de Herta em se afastar da F2 por quase um mês para pilotar um carro de corrida completamente diferente daquele que ele está tentando aprender para alavancar sua carreira.
“Obviamente eu quero fazer isso, mas quero ter certeza de que não vai atrapalhar nada do que é o meu foco principal”, disse Herta. “Se eu tiver a chance, eu farei.”
O que vem primeiro em sua agenda? 
Herta ainda está nos Estados Unidos aguardando o visto necessário para se mudar para a Inglaterra. No momento, ele está na Flórida, no Daytona International Speedway, para a disputa das Rolex 24 de Daytona este fim de semana.
Herta pilotará um Cadillac pela equipe Wayne Taylor Racing — também pertencente à TWG — com a chance de conquistar seu primeiro título geral na corrida de endurance mais prestigiada dos EUA.
Em oito participações anteriores na maratona de 24 horas, Herta possui duas vitórias em sua categoria. Desta vez, ele será o piloto de endurance da equipe, ao lado dos competidores regulares da IMSA, Jordan Taylor e Louis Deletraz.
“Eu amo esta corrida; esta e a Indy são as que eu quero fazer todos os anos em que meu cronograma permitir”, disse Herta. (Reportagem de Jenna Fryer)

